impossível

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Ahhh o tão perseguido impossível. Todos querem o impossível. Dizem ser impossível, mas o querem mesmo assim. Talvez pelo puro e simples desafio. Talvez pela mais simples certeza de ser impossível. Vale considerar também que, já que é impossível, não deve haver frustração. Se eu não consigo, ninguém consegue, afinal, é impossível.

E o possível? Ninguém quer? Não vale o esforço? Não. Provavelmente por não fazer sucesso e por não destacar ninguém.

Realmente não podemos ignorar que não há marketing para o certo, para a obrigação, para o ético e outras tantas coisas boas e dignas. Hoje 15 segundos de fama tem mais valor popular que uma vida inteira de dedicação a causas sociais. Alguns baldes de gelo importados parecem ter mais importância que a educação do país. A idiotice ganha destaque e as genialidades científicas são colocadas na gaveta das coisas desinteressantes.

Precisamos fazer todo o possível primeiro. Podemos considerar como uma fase no vídeo game onde devemos completar todas as etapas de uma, para mudarmos para a outra.

Será que não podemos ser gentis, educados e éticos antes de sermos celebridades relâmpago? Será que não podemos ser famosos por nossos trabalhos voluntários ou dedicação familiar? Será que não merecem milhões os nossos representantes olímpicos ao invés de personalidades de óculos escuros desfilando numa casa criada pela cenografia?

Sabe quem é Artur Avila? Mas o Psirico você, se não conhece, já ouviu falar, por seu tão repetido Lepo Lepo, certo? Artur Avila é um brasileiro que recebeu prêmio equivalente ao Nobel para a matemática: a Medalha Fields (2014). Avila foi o primeiro brasileiro a receber esse prêmio. Ele sim, mudou de fase no vídeo game da vida. E muitos são os exemplos de sucesso perdidos no anonimato.

Arrisco dizer que a culpa não é dos famosos instantâneos. A culpa é da maioria de nós que adiciona água e aguarda 3 minutos para vê-los existir por breve tempo.

Temos, devemos e precisamos fazer mais coisas possíveis. Temos que inverter o que já foi virado do avesso. Hoje o que é natural é caro. Se quiser uma verdura da terra, sem agrotóxico, desembolsará uma fortuna. O que é saudável é caro. Se desejar uma margarina sem issos e aquilos químicos, pagará o dobro. Ser bem atendido é caro. Se você pensa num bom atendimento, num lugar que será tratado com a devida atenção, sabe que pagará mais por isso. Oras, isso não deveria ser o básico, o essencial?

Vamos cumprimentar as pessoas, vamos sorrir, vamos abrir portas, ceder a vez, oferecer ajuda e outras tantas possíveis (e incríveis) coisas. E assim, talvez o impossível se torne possível, viável. Real e valorizado.

Disse Lewis Carroll através de um clássico do cinema: “A única forma de chegar ao impossível é acreditar que é possível“.

Eu acredito? E você?

Uma ideia sobre “impossível

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